domingo, 11 de janeiro de 2009

«Dispersão» de Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro (1890-1916).
É um do poeta Modernismo português.
Qual o sentido da existência ?
Buscou respostas.
Não as encontrando cometeu suicídio em Paris, como tantos outros de nossos poetas.





«Dispersão»


Perdi-me dentro de mim

Porque eu era labirinto,

E hoje, quando me sinto,

É com saudades de mim.

Passei pela minha vida

Um astro doido a sonhar.

Na ânsia de ultrapassar,

Nem dei pela minha vida... (...)


Desceu-me n'alma o crepúsculo;

Eu fui alguém que passou.

Serei, mas já não me sou;

Não vivo, durmo o crepúsculo.