MARantologia
Esta antologia MAR é uma selecção de poemas de Sophia, a nossa saudosa poeta, que merecia ter recebido um Prémio Nobel, mas não aconteceu. Para fazer a antologia MAR o critério não podia ser apenas os poemas "em que o elemento marítimo é a principal ou única referência", toda a tentativa de impôr contornos, que distingam num grupo de poemas os que são claramente inseríveis num determinado tema sofre da incerteza e da irresolução que afectam as tarefas praticamente impossíveis. Por isso passou de restritiva a exaustiva a escolha de poemas em que a referência ao mar como motivo secundário, com ela se convoca a vastidão ou o dramatismo próprios às imagens marítimas. Presidiu a preocupação de que MAR não fosse meramente um inventário. Por isso é maior a presença de poemas em que o elemento marítimo tem uma dimensão metafórica, num movimento de transporte da força desta matéria poética a outras extensões do mundo. Foi alargado o lugar concedido aos grandes poemas que testemunham o encontro efectivo com outros espaços geográficos — Grécia, Oriente. A convocação de um imaginário correspondente, mas também a correspondentes transformações decorrentes desse acontecimento, cuja factualidade obriga a imaginação a redesenhar os seus lugares. Um volume único de toda a obra poética, revista, fixada e anotada, a qual coroará a edição autónoma dos catorze livros de poesia editados por Sophia. Alguns dos poemas agora incluídos fazem parte de Dispersos, que pela primeira vez estão a ser editados em livro.
MARantologia por Sophia de Mello Breyner Andresen
Editorial Caminho
terça-feira, 1 de julho de 2008
ORLANDO RIBEIRO (1911-1997
Desde os anos do liceu o estudante Orlando Ribeiro foi atraído para o conhecimento da História, da Antropologia, da Etnografia, através do contacto, entre outros, com David Lopes, seu professor, e Leite de Vasconcellos. Mas, o alargamento de horizontes da Geografia como ciência é também resultado do seu espírito curioso e independente que o levou a manter ligações com cientistas de outras áreas, onde procurou alicerces de uma formação naturalista. Aprendeu geologia trabalhando no campo com Fleury e colaborando mais tarde com Carlos Teixeira e Zbyszewsky.As questões de biologia, buscou-as na medicina através de amigos como Juvenal Esteves, Barahona Fernandes ou Celestino da Costa.Com eles partilhava também a inspiração universalista da literatura e da música, em autores como Goethe, Bach, Beethoven e Bruckner. Orlando Ribeiro doutorou-se em Geografia pela Universidade de Lisboa com a tese A Arrábida, esboço geográfico.Em 1937 seguiu para Paris como Leitor de Português na Sorbonne, onde viria a alargar horizontes com mestres como Marc Bloch, E. de Martonne e A. Demangeon.De regresso a Portugal em 1940, foi nomeado Professor em Coimbra e em Lisboa.Em 1943, fundou o Centro de Estudos Geográficos.Da sua intensa actividade se destaca, desde 1945, uma das suas obras de síntese mais conhecidas, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico.A sua revista Finisterra, ainda hoje é um dos veículos editoriais mais importantes para a geografia portuguesa, a nível nacional e internacional.A colaboração científica internacional foi marcante da actividade de Orlando Ribeiro.Em 1949 organizou em Lisboa o que seria, no pós-guerra, o primeiro Congresso da União Geográfica Internacional.Um professor, mas sobretudo um HOMEM de VISÃO que marcou muito a vida dos seus mestres e alunos, estes foram estimulados para o intercâmbio com geógrafos estrangeiros, através de estágios e de viagens de investigação.As viagens, e os trabalhos delas resultantes, são o melhor testemunho da sua actividade como geógrafo.Eles revelam as suas preocupações sociais com os territórios e povos estudados.A sensibilidade como fotógrafo, aliada à qualidade literária da sua prosa deste Viajante incansável, sobretudo em Portugal e Espanha na década de 40, e pelo Mundo fora entre1950-1965, com destaque para o ultramar português.Orlando Ribeiro oferece-nos leituras de muitos lugares do Mundo em que a observação científica não se desliga da natureza como um todo, dos costumes, da arte e, sobretudo, do elemento humano.Orlando Ribeiro usou sempre de uma frontalidade que, se não diminuía o respeito científico que lhe era reconhecido, também nunca facilitou as suas relações com os órgãos de decisão, desde o Estado Novo ao período pós 25 de Abril.Por muito tempo teve, como resposta às suas opiniões, um invariável silêncio.Contrastando com o precoce reconhecimento a nível internacional, a difusão da sua obra e as honras oficiais, no seu próprio país, surgiram muito tardiamente.De Orlando Ribeiro que podemos rever toda uma época e experiência de vida através da sua rica prosa memorialística, recolhida e dada à estampa em:Orlando Ribeiro: Memórias de um Geógrafo (2003).
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