Como a humanidade devia existir em cada homem AQUI e AGORA e não apenas nas celebrações especiais, fica este poema lindíssímo de Ary dos Santos...
Tu que dormes à noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento.
És meu irmão amigo
És meu irmão.
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume.
És meu irmão amigo
És meu irmão.
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher.
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar.
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei.
És meu irmão amigo
És meu irmão.
.......
Schopenhauer escreveu há 150 anos:
" O NOSSO MUNDO CIVILIZADO NÂO PASSA DE UMA GRANDE PALHAÇADA ".
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