terça-feira, 1 de julho de 2008
ORLANDO RIBEIRO (1911-1997
Desde os anos do liceu o estudante Orlando Ribeiro foi atraído para o conhecimento da História, da Antropologia, da Etnografia, através do contacto, entre outros, com David Lopes, seu professor, e Leite de Vasconcellos. Mas, o alargamento de horizontes da Geografia como ciência é também resultado do seu espírito curioso e independente que o levou a manter ligações com cientistas de outras áreas, onde procurou alicerces de uma formação naturalista. Aprendeu geologia trabalhando no campo com Fleury e colaborando mais tarde com Carlos Teixeira e Zbyszewsky.As questões de biologia, buscou-as na medicina através de amigos como Juvenal Esteves, Barahona Fernandes ou Celestino da Costa.Com eles partilhava também a inspiração universalista da literatura e da música, em autores como Goethe, Bach, Beethoven e Bruckner. Orlando Ribeiro doutorou-se em Geografia pela Universidade de Lisboa com a tese A Arrábida, esboço geográfico.Em 1937 seguiu para Paris como Leitor de Português na Sorbonne, onde viria a alargar horizontes com mestres como Marc Bloch, E. de Martonne e A. Demangeon.De regresso a Portugal em 1940, foi nomeado Professor em Coimbra e em Lisboa.Em 1943, fundou o Centro de Estudos Geográficos.Da sua intensa actividade se destaca, desde 1945, uma das suas obras de síntese mais conhecidas, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico.A sua revista Finisterra, ainda hoje é um dos veículos editoriais mais importantes para a geografia portuguesa, a nível nacional e internacional.A colaboração científica internacional foi marcante da actividade de Orlando Ribeiro.Em 1949 organizou em Lisboa o que seria, no pós-guerra, o primeiro Congresso da União Geográfica Internacional.Um professor, mas sobretudo um HOMEM de VISÃO que marcou muito a vida dos seus mestres e alunos, estes foram estimulados para o intercâmbio com geógrafos estrangeiros, através de estágios e de viagens de investigação.As viagens, e os trabalhos delas resultantes, são o melhor testemunho da sua actividade como geógrafo.Eles revelam as suas preocupações sociais com os territórios e povos estudados.A sensibilidade como fotógrafo, aliada à qualidade literária da sua prosa deste Viajante incansável, sobretudo em Portugal e Espanha na década de 40, e pelo Mundo fora entre1950-1965, com destaque para o ultramar português.Orlando Ribeiro oferece-nos leituras de muitos lugares do Mundo em que a observação científica não se desliga da natureza como um todo, dos costumes, da arte e, sobretudo, do elemento humano.Orlando Ribeiro usou sempre de uma frontalidade que, se não diminuía o respeito científico que lhe era reconhecido, também nunca facilitou as suas relações com os órgãos de decisão, desde o Estado Novo ao período pós 25 de Abril.Por muito tempo teve, como resposta às suas opiniões, um invariável silêncio.Contrastando com o precoce reconhecimento a nível internacional, a difusão da sua obra e as honras oficiais, no seu próprio país, surgiram muito tardiamente.De Orlando Ribeiro que podemos rever toda uma época e experiência de vida através da sua rica prosa memorialística, recolhida e dada à estampa em:Orlando Ribeiro: Memórias de um Geógrafo (2003).
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